domingo, 29 de novembro de 2009

"GENTILEZA DO SERTÃO"


Pois é...todos de uma forma ou de outra, o conheceram!
O velho Jeferson! Para mim, mais que isso : meu tio-avô.
Na verdade, um menino lindo, sonhador, opinioso, justo,
naturalmente ecológico, e...gentil!
De uma gentileza que beirava à elegância!
Sinto saudades dos nossos encontros sempre que eu vinha
de férias para o Crato. Ainda lembro sua figura que ao ouvir
o barulho do meu carro, postava-se ansioso ao pé do batente
de casa e não esquecia de dizer-me : -Cuidado para não cair!
Seu abraço, seu cheiro, seu toque, lágrimas nos seus e nos meus olhos. Sentávamos no chão, e começava junto com Teresa ( último amor ), as "prosas" como ele falava. Não tínhamos pressa...e as horas eram esquecidas. Às vezes víamos a noite chegar então brincávamos de renomear as estrelas. Ele gostava disso! Do novo, do instigante, do irreverente! Era também muito óbvio!
Meu tio, meu mestre, meu dengo! Adorava trançar-lhe os longos cabelos, ouvindo suas histórias, perguntas, e também gostava de perguntar, de provocá-lo e às vezes, ouví-lo xingar quem ou o que achava errado. Uma vez ao falarmos sobre a liberdade de Teresa que quase não saia do seu lado, ele me disse:" - Ela vai até onde seus pés aguentarem. Pode ser só até à porteira, ou até o fim do mundo!". Lembro dos calangos que iam chegando perto de nós, devagar, sem medo, balançando a cabeça atrás de comida. Os banhos de rio, pelada, me tornavam essência, instinto, vida. A vida roubada pelo concreto do dia-a-dia. O suco de cajá que nos refrescava o corpo e a mente...Vai ser difícil esqueçer tantos instantes sublimes em meio àquela floresta mágica! É impossível esquecê-lo...embora saiba que ele está no ar, no vento, nas árvores, no cheiro do cajá e na benevolência dos calangos.A certeza de um reencontro reinventaremos como fazíamos com as estrelas. As lágrimas da última visita de férias eram de incertezas, de saudades, de espera... A barba branca e os longos cabelos, o seu cheiro, seu olhar, seu sorriso, seu : "- Até breve....". Qualquer semelhança deste homem e o Universo, não é mera coincidência!

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